Segurança
Linha direta
Comunicação entre condomínios e PM previne ocorrências
Nada de intermediários. Mas, sim, um sistema de comunicação via rádio que interliga prédios diretamente com carros da Polícia Militar (PM). Assim funciona um programa de segurança de condomínios que vem sendo adotado em diferentes cidades do país, colhendo alguns bons resultados.
Como em Recife, onde o programa, que se chama “De olho na rua”, foi desenvolvido numa parceria entre a Secretaria de Estado de Defesa Social e o Sindicato da Habitação de Pernambuco (Secovi-PE): criado há 11 meses, ele zerou os assaltos nos mil condomínios que integram o sistema. Anteriormente, eram sete assaltos, em média, por semana.
No Rio, cem prédios de Botafogo estão usando sistema semelhante há pouco mais de um ano, mas não há estatísticas a respeito. É o “Projeto vigia”, um parceria entre empresários e o 2º BPM. O modelo de Recife já foi exportado para Salvador e Fortaleza e está em estudo pelos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Norte, São Paulo e Piauí.
O vice-presidente da Associação das Empresas de Botafogo (Aseb), Marcelo Ferreira, conta que 40 radiotransmissores foram espalhados por empresas e condomínios da região, enquanto 20 ficam com as polícias Militar, Civil, Bombeiros e Guarda Municipal. Ele explica que este modelo de rádio só se comunica com os demais do projeto — não é um sistema de comunicação aberto. E que, assim, ninguém pode usá-lo para outro fim.
— O chamado não passa por mesas de triagem. O morador ou comerciante fala diretamente com quem resolverá seu problema, isto é, a patrulha mais próxima.
Para os condomínios, a despesa é o rádio
Além disso, foi implantada na área a ronda eletrônica: com 144 pontos, as patrulhas passam e os policiais acionam o dispositivo com um bastão que registra local, data e hora da ronda. O sistema acaba de chegar a condomínios de Alto Leblon, Gávea e Jardim Botânico. Para aderir ao sistema, destaca Ferreira, os condomínios só precisam pagar pelo rádio. Também na região da Barra, há ronda eletrônica em oito pontos, por iniciativas de associações de moradores.
O projeto de Recife nasceu inspirado em sistema criado no Rio, em 2000, num convênio do Sindicato da Habitação do Rio (Secovi-RJ) com a Polícia Militar, que, entretanto, não foi adiante. Mas, lembra João Augusto Pessôa, diretor do Secovi-RJ, outro programa acaba de ser lançado pela entidade: é o “Trilogia/Práticas para um condomínio seguro”, que ainda inclui manutenção patrimonial e prevenção contra incêndio.
Programa vem recebendo adesão de moradores de diferentes classes de renda
RECIFE. Graças ao “De Olho na Rua”, o número de chamadas feitas diariamente para o 190 em Recife caiu de 22 mil para 13 mil, conta o chefe do Centro Integrado de Operações em Defesa Social da Polícia Militar de Pernambuco, coronel Sérgio Viana. Devido ao excesso de demanda, acrescenta o policial, as radiopatrulhas demoravam até 50 minutos para chegar e, muitas vezes, quando chegava, o assalto já tinha acontecido. Além disso, com o programa, segundo o coronel Viana, os porteiros dão informação com qualidade maior do que as que chegam ao serviço 190, onde o atendente faz o registro e perde o contato com o denunciante.
— O tempo que leva para a informação sair de dentro da polícia e chegar à viatura na rua é suficiente para que o fato se modifique. E os porteiros têm visão privilegiada da rua, o que tem contribuído para evitar assaltos até de moradores de edifícios que não estão incluídos no sistema.
— Com o “De Olho na Rua”, tivemos casos em que o atendimento chegou em três minutos — elogia Solange Lino, presidente do Sindicato da Habitação de Pernambuco.
Condomínios de luxo, de classe média e de baixa renda, além de hotéis e clínicas, estão se integrando ao programa. Os porteiros são treinados a utilizar o sistema de comunicação e a identificar situações de risco ou pessoas suspeitas:
— Eles ficam em alerta em seus postos de observação e se comunicam com a PM em caráter preventivo, evitando que furtos, roubos e assaltos sejam consumados — destaca a presidente do sindicato.
Os cursos para os porteiros são gratuitos, e o custo com a locação do sistema de radiocomunicação é mínimo, considera Solange: R$63 mensais, o que significa que, em um prédio com 30 apartamentos, cada condômino arcará com uma despesa adicional de R$2,10 por mês.
A empresa habilitada para operar o sistema venceu licitação feita pela Secretaria de Defesa Social, e foi escolhida por apresentar a melhor tecnologia e o menor preço.
— Um simples botão de pânico não sairia por menos de R$150 ao mês — diz Solange, referindo-se ao equipamento de alarme usado por empresas privadas de segurança. (Letícia Lins)
Fonte: O Globo, 11/06/2006